Maria Padilha e Tranca Rua
Maria Padilha e Tranca Rua

Maria Padilha e Tranca Rua

Maria Padilha e Tranca Rua são entidades que fazem muito na vida das pessoas. São entidades com características e histórias distintas, mas muito cultuados, principalmente através de imagens.

Maria Padilha e Tranca Rua são entidades que auxiliam em armadilhas, desobsessões e são entidades iluminadas, que banem o mal, a inveja e a mentira e concedem proteção.

Maria Padilha e Tranca Rua são extremamente respeitados em terreiros, centros, casas e templos de Umbanda, não só pelo carinho que muitos consulentes tem por eles, mas também por tudo que eles representam para a religião umbandista.

Maria Padilha e Tranca Rua são chefes de falange. Sendo assim, diversos exus e pombas giras, que trabalham nessas falanges chefiadas por eles, levam o mesmo nome.

Dessa forma, podemos encontrar diversos exus com o nome de Tranca Rua, assim como diversas pombas giras com o nome de Maria Padilha, sendo diferenciados apenas pela linha, irradiação ou função de atuação.

Por isso, não há nada de errado em ter duas ou mais médiuns trabalhando com essas entidades em um mesmo terreiro, na mesma hora.

Além disso, é comum encontrar em terreiros sem nenhum entendimento sobre a religião Umbanda, zeladores e filhos de santo se dizendo estar incorporados com Tranca Rua e Maria Padilha, dando consulta à pessoas desavisadas, falando sobre magias inexistentes, amarrações, oferendas sem nexo, despachos enormes sem sentido, e muito pior que tudo isso, usando bebidas alcoólicas sem nenhuma necessidade, fumando grandes quantidades de cigarros, cigarrilhas, charutos, enfim, tudo em um grau de extremo, que não conduz com a realidade da entidade.

Maria Padilha e Tranca Rua, sendo chefes de falange, coordenam uma legião de exus e pombas giras, que trabalham em prol da caridade, resgatando espíritos perdidos ou reencaminhando espíritos que foram levados para serem escravizados nas trevas.

Porém, em muitos terreiros, centro e casas de Umbanda, médiuns ficam mistificando, inventando trabalhos em encruzas, cemitérios, despachos enormes, oferendas exorbitantes, sem o menor sentido, sem a menor noção e sem o menor nexo, fazendo com que essas oferendas só sirvam para energizar quiumbas, eguns e zombeteiros, e se utilizando do nome das entidades Tranca Rua e Maria Padilha, assim como é feito com tantas outras entidades de luz.

Maria Padilha e Tranca Rua devem ser respeitados, pois são entidades maravilhosas, de muita luz e de muita força, que só fazem o bem.

Maria Padilha e Tranca Rua são considerados donos de giras, chegam gargalhando, mostrando sua presença e possuem assentamentos em terreiros.

Maria Padilha, incorporada em médiuns, sensualiza ao andar e tem uma figura de cortesã, pois anda com elegância. Suas roupas são sempre vermelha e preta, utilizando também colares, pulseiras e véu na cabeça.

Tranca Rua, em uma incorporação, se movimenta bruscamente, e uma gargalhada rouca erradia indicando a sua presença.

Em terreiros, sempre há um dia em homenagem ao “Seu Exu Tranca Rua”. Ele é dono de gira, como dito anteriormente, e corre giras à mando de Ogum.

Tranca Rua grita e gargalha alto, indicando sua presença e sua força. Ele sempre vem na frente de Maria Padilha. As vestes do Tranca Rua são um tecido de cor preto reluzente e um chapéu preto.

Há um ponto de Tranca Rua que diz assim:

Ele é filho do sol
Ele é neto da lua (2x)
Quem cometeu as suas faltas
Peça perdão a Tranca Rua (2x)

Os pontos de Tranca Rua sempre se referem a sua força, à punição dos seus inimigos, e à abertura de caminhos. Ele costuma sair repentinamente de seus médiuns.

Muitas lendas e histórias são contadas sobre essas entidades, que são consideradas das ruas e estão presentes em muitos templos e tendas.

Maria Padilha, talvez a mais popular das pombas giras, é considerada o espírito de uma mulher muito bonita,
branca, sedutora, e que em vida teria sido prostituta grã-fina ou influente cortesã.

Caso você queira saber mais sobre Maria Padilha, a escritora Marlyse Meyer publicou, em 1993, seu interessante livro Maria Padilha e toda a sua quadrilha, contando a história de uma amante de Pedro I (1334-1369), rei de Castela, a qual se chamava Maria Padilha.

Seguindo uma pista da historiadora Laura Mello e Souza (1986), Meyer vasculha o Romancero General de romances castellanos anteriores al siglo XVIII, depois documentos da Inquisição, construindo a trajetória de aventuras e feitiçaria de uma tal dona Maria Padilha e toda a sua quadrilha, de Montalvan a Beja, de Beja a Angola, de Angola a Recife, e de Recife para os terreiros de São Paulo e de todo o Brasil.

Para Maria Padilha, questões de bem e de mal são irrelevantes, como podemos verificar nesse trecho de um de seus pontos cantados:

Ela é Maria Padilha
De sandalhinha de pau
Ela trabalha para o bem
Mas também trabalha para o mal.

É muito frequente, entre os adeptos, atitudes de medo e respeito para com Maria Padilha, mesmo quando dela não se pretende qualquer favor, como podemos comprovar com o seguinte trecho de ponto cantado:

Quem não me respeitar
Oi, logo se afunda
Eu sou Maria Padilha
Dos sete cruzeiros da calunga
Quem não gosta de Maria Padilha
Tem, tem que se arrebentar
Ela é bonita, ela é formosa
Oh! bela, vem trabalhar

Assim o é também com o Exu Tranca Rua, que pode gerar todo tipo de obstáculos na vida de uma pessoa, porém, ainda assim, não deixa de ser amigo e protetor.

Maria Padilha e Tranca Rua são considerados um casal de guardiões e, muitas vezes, cultuados e adorados juntos. Eles estão presentes, pincipalmente, na umbanda e na quimbanda.

Maria Padilha é considerada uma dama da madrugada, rainha da encruzilhada, senhora da magia, pomba gira de mistérios ocultos e Tranca Rua também é muito empoderado.

Compartilhe Esta Página:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *